No Bairro do Aleixo

domingo, junho 26, 2005

Junta de freguesia.

«Não tenho vida para isto. Ocupa-me muito tempo e eu tenho outras coisas mais importantes para fazer na vida. Aceitei vir para aqui, mas não sabia muito bem naquilo que me estava a meter. Já viu bem os problemas desta freguesia? Tantos bairros sociais. E que perspectivas de carreira política tenho aqui? Não se passa de presidente de uma junta para deputado ou para ministro. Não. Eu tenho outras coisas para fazer. Isto pode ser bom para algumas pessoas, mas não para mim. Conhece outros presidentes de junta? São quase todos velhos e reformados. Sem mais nada para fazer, sem perspectivas profissionais noutras áreas. O ordenado é bom para a maior parte das pessoas, mas eu tenho outras ambições. A minha área é a banca, capitais de risco, investimentos. Como imagina, estar aqui preso a ouvir os problemas destas pessoas não me deixa tempo para outras coisas. Para ganhar dinheiro, para construir a minha vida fora daqui. Vou-lhe confessar uma coisa. Eu sou amigo pessoal do presidente da câmara e só por isso é que aceitei concorrer para aqui. Eu nunca tinha estado num bairro social antes. Nunca imaginei o que seria viver num. Mudei-me ali para baixo há pouco tempo. Para perto do Aleixo. De minha casa vejo as pessoas a chegar e a sair. De manhã é assustador. Nunca imaginei. Tenho tentado fazer alguma coisa por isto. Mas é difícil. Que autonomia é que um presidente da junta tem? Nenhuma. Isto depende tudo da câmara. Do orçamento. Da vontade de muita gente. Não. Não tenho vida para isto. Foi muito bom estar aqui. Até lhe digo que aprendi muitas coisas. Mas não aguento mais!»

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