No Bairro do Aleixo

Domingo, Junho 19, 2005

Breve história da Comissão.

A Comissão de Moradores, Traficantes, Consumidores e Outros Negociantes do Bairro do Aleixo foi fundada há cerca de dez anos. Lutar pela melhoria das condições de vida no Bairro e servir como plataforma de comunicação com a cidade, foram desde logo os seus principais objectivos.
Dois anos depois entendeu-se que, para consolidar a qualidade de vida da maior parte da população, seria necessário organizar as actividades comerciais dispersas por todo o Bairro. Até então não havia nem ordem nem método nas actividades: as lojas fechavam durante grande parte do dia e os clientes não sabiam onde se dirigir nem o que procurar.
A Comissão coordenou e organizou todos os intervenientes. Estabeleceram-se regras, os principais agentes em campo dialogaram, organizaram-se espaços e clarificaram-se os territórios.
O negócio cresceu, a afluência de clientes aumentou. Criaram-se equipas de segurança, planos de promoção e estratégias de importação. Cedo se percebeu as vantagens da Comissão e o seu papel fundamental. Toda a gente saiu a ganhar.
A Comissão quis ir mais longe e, há precisamente seis anos, começou a editar um ambicioso catálogo de produtos. Um extenso livro com todas as substâncias que existem no Bairro para compra imediata ou sujeitas a encomenda. Este catálogo teve cinco edições. Recentemente, quando se descobriu que algumas das substâncias mais raras começaram a ser comercializadas noutros locais, foi cancelado.
A actividade editorial da Comissão foi-se diversificando. Ao longo destes dez anos foram encomendados trabalhos a especialistas sobre o Bairro do Aleixo e sobre as questões sociais com ele relacionadas, sobre o tráfico e a actividade económica local, sobre a educação dos jovens do Aleixo, sobre o estado do consumo em Portugal e na Europa. Enfim, um rol interminável de estudos que ajudaram a construir o Bairro tal como ele é hoje. A grande maioria destes trabalhos, já aqui mencionados, está editada em revistas e publicações da especialidade. Os restantes estão apenas disponíveis na biblioteca da Comissão.
O maior investimento da Comissão na área editorial até agora foi o famoso Manual de Procedimentos do Traficante Regular. Um compêndio bastante completo que é usado na formação dos jovens dos Bairro. Reúne tudo o que é necessário saber sobre a actividade, desde a descrição das substâncias e dos seus efeitos, até às análises de mercado, passando pelos mecanismos de transporte internacional, pelos métodos de transformação química e por reflexões sobre questões sociais, políticas e filosóficas paralelas ao tráfico.
Apesar de recente, este manual é a principal fonte de informação para as duas gerações de negociantes do Bairro.
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Falar da importância da Comissão é também falar da educação no Bairro do Aleixo. Desde o jardim-de-infância até à escola primária, a educação é feita localmente. Investiu-se na melhor qualidade de ensino para aqueles que no futuro vão governar o Bairro e, quem sabe, o país. Para os mais velhos existem actividades regulares de reciclagem onde a participação é sempre elevada e entusiástica.
Na data da sua fundação, a Comissão contou apenas com a vontade de dez pessoas, que lançaram as bases para o que viria a ser o mais importante trabalho desenvolvido para a população do Bairro.
Um ano depois e com cerca de uma centena de colaboradores, decidiu-se oficializar os estatutos da Comissão e fazer eleições para os corpos directivos. Hoje a Comissão tem várias centenas de membros. Basta ser residente no Bairro do Aleixo para se ter direito de participação na Comissão, mas o direito de voto só é atribuído ao fim de seis meses de participações regulares ou directamente, caso se trate de um negociante.
Os objectivos futuros passam, como já aqui se fez referência, pela modernização das infra-estruturas existentes, pelo aumento da produtividade, rentabilidade e qualidade dos negócios e pela saudável e eficaz mudança da geração responsável pelo governo do Bairro.
Todos os habitantes do Bairro do Aleixo estão empenhados em lutar por estes grandes objectivos traçados para o futuro e a Comissão não podia estar mais optimista.

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